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Recomendações para viajar pela montanha com segurança e ...viajar a solo.

  • Foto do escritor: Art of Riding
    Art of Riding
  • 23 de jan. de 2024
  • 6 min de leitura

Atualizado: 6 de mai.

Planeie, equipe-se e aja com cautela.

Um roteiro de planear, equipar-se e agir com prudência deve ser sempre seguido, pois muitas vezes é a nossa segurança e a nossa vida e de quem nos acompanha, que está em jogo.

As duas primeiras etapas, planear e equipar, devem ser feitas em casa. Muitos dos acidentes e resgates que ocorrem são causados ​​por um mau planeamento ou falta de experiência suficiente para realizar a viagem.

A tomada de decisões, às vezes algo tão simples e tão difícil de colocar em prática como dar meia-volta quando as coisas não saem como planeado, também costuma estar por trás de muitos resgates de acidentes na alta montanha.


Planificar:

Deve ser sempre o primeiro passo. Não deve ser um fardo ou algo que fazemos com pouca vontade. É o primeiro contato com a viagem a realizar, o momento inicial de começar a imaginá-la e, portanto, desfrutá-la. O planeamento de uma viagem é também um processo educativo, no qual devemos envolver quem menos sabe ou quem nos vai acompanhar.

Este passo, que devemos fazer preferencialmente em casa, permite-nos ter uma ideia mental do que vamos encontrar. Consultamos a previsão do tempo e as condições da montanha, vai chover? Qual será a temperatura mínima? Tem neve? Como são os fluxos?

Preparamos um plano alternativo, caso percebamos que não é prudente seguir o plano inicial e queremos aproveitar o dia com outra rota menos exigente.

Deixar um aviso para onde vamos, com quem e o cronograma que planeamos seguir.


Equipar-se:

Tão importante quanto o planeamento, é uma tarefa a fazer enquanto ainda estamos em casa. Preparar os equipamentos que vamos precisar.

Na montanha, haverá coisas que talvez nunca chegaremos a usar, mas por precaução devemos sempre levar. É aquele material de segurança que está lá para o caso e no dia que faltar, certamente será o dia em que nos arrependemos de não ter levado.


Atuar com prudência:

Nada vai correr bem se, apesar de nos termos preparado, uma vez no terreno não avaliarmos como tudo está a evoluir e a tomar as decisões adequadas.


Quando já iniciamos a viagem, devemos manter a nossa atenção em:

  1. Começar a viagem numa hora prudente. Deixar uma margem de pelo menos uma hora entre o regresso e o anoitecer.

  2. Avaliar o resto do grupo constantemente. Certificarmo-nos que todos estão bem.

  3. Não separar o grupo nem deixar ninguém sózinho. Se somos nós que decidimos ir a solo, siguir as recomendações que fazemos aos viajantes solitários,(LER EM BAIXO).

  4. Verificar se a meteorologia não será um problema. As previsões são apenas isso, previsões, não certezas.

  5. Verificar os mapas ou GPS com frequência. Em todos os momentos devemos saber onde estamos.

  6. Se algum destes aspectos não correr como planeado, não hesitar, mudar o plano, dar a volta por cima ou optar pelo plano alternativo (aquele que preparamos como plano B).

  7. Planear, equipar e agir com sabedoria para cada viagem.

  8. Ter em mente que cada viagem tem as suas próprias características. Viajar no verão não é o mesmo que viajar no inverno.


VIAJAR A SOLO

Porque dar conselhos a viajantes solitários, se eles não devem sair sozinhos?

Às vezes é por falta de acompanhantes para as datas ou tipo de viagens a que nos propomos. Outros são pelo prazer de desfrutar das montanhas sem companhia. A realidade é que os viajantes de montanha solitários existem e eles não deixarão de existir por mais que insistamos que não devem sair sozinhos. Eles estão cientes das suas condições e essa é a opção deles.

Portanto, esta entrada não é para convencer montanhistas solitários a deixarem de fazer as viagens solitárias. O objetivo é que o montanhista solitário aplique metodicamente diretrizes e protocolos para melhorar a sua segurança.


Viajantes solitários e resgates nas montanhas

De acordo com a uma sondagem "Montaña Segura", 17% dos pesquisados ( verão 2021), nos Pirinéus Aragoneses, viagens de alta montanha eram a solo.

Esses mesmos dados dizem que geralmente são pessoas com muita experiência, geralmente conscientes das demandas físicas e técnicas da viagem que estão a realizar e do risco extra que assumem ao fazê-lo sozinhos. Pela mesma razão, eles geralmente não estão dispostos a ficar em casa.

Se analisarmos os resgates, por outro lado, vemos que em 2021 (também no verão, também nos Pirinéus Aragoneses) 18% dos resgates e 9% dos resgates em viagens de alta montanha foram realizados em montanhistas que iam sozinhos.

Ao processo habitual que todos devemos seguir para realizar uma viagem ou atividade de montanha em segurança (Planear + Equipar + Agir) convém esclarecer alguns aspetos de maior importância para quem vai sozinho à montanha:

  • Escolher uma viagem um pouco menos exigente do que o seu nível habitual.

  • Tentar ter a certeza de que a viagem NÃO será um problema, dê um passo atrás e volte para as rotas um pouco mais simples.

  • Calcular horários e distâncias. Pense num plano alternativo, menos complexo ou mais curto, para que a teimosia não o obrigue a realizar o primeiro.

  • Verifique a previsão do tempo e não saia ou mude os seus planos se estiver mau.

  • Diga para onde vai com o máximo de detalhes possível e a hora em que planeia voltar à origem ou destino.

  • Equipe-se corretamente. Quando vamos sózinhos, vamos carregar tudo sózinhos,

    calçado, agasalho, impermeável de chuva ou blusão, tudo o necessário para as montanhas altas.

  • Mapa de viagem, bússola e GPS com o percurso que pretendemos fazer, (lembre-se que o seu smartphone também é um GPS). Saiba como enviar as coordenadas da sua posição a partir do seu telefone.

  • Telefone móvel com bateria carregada e carregador sobressalente. Faça uma ideia das suas opções de comunicação de montanha para a área que vamos. Em caso de acidente, é bom saber em que direção fica o ponto de cobertura mais próximo.

  • Kit de primeiros socorros completo e foco de luz com baterias sobressalentes.

  • Levante-se um pouco mais cedo do que o habitual. Damos mais tempo para gerir qualquer imprevisto.

  • Não alterar o plano inicial sem avisar a pessoa que o está monitorizando.

  • Sempre que puder, confirmar por mensagem ou telefone que está tudo a correr bem.

  • Avaliar periódicamente se estamos adiantandos ou atrasados, caso contrário, optar por uma alternativa mais curta ou dar meia-volta. Usar os mapas para guiá-lo e a sua previsão de programação.

  • Se precisar de passar por uma área exposta ou onde não tiver certeza, é melhor não arriscar e retroceder.

  • Verifique se o clima não é um risco.

  • E o mais importante: agir com muita atenção e prudência extra


Opções de comunicação passiva:

 Certamente uma das situações mais delicadas ao ir sozinho para as montanhas é sofrer um acidente ou contratempo e não poder notificar a necessidade de ajuda. Isso pode acontecer quando:

  1. O local do acidente não tem cobertura e não nos podemos mover.

  2. Não temos o sistema de comunicação à mão e não podemos alcançá-lo (mochila longe, ou incapacidade de alcançá-lo).

  3. Para montanhistas solitários, as opções de rastreamento passivo (localizadores/rastreadores de satélite) são uma ferramenta potencialmente salvadora. A pessoa que permaneceu no caso de nossa atividade e retorno, uma vez que veja que não retornamos, não apenas ativará o resgate, mas também poderá dizer exatamente onde estamos.


                A vulnerabilidade a solo

Nas montanhas, viajar a solo é inseguro! Em caso de emergência ou acidente, a capacidade de reação, assistência e notificação está limitada ao grau de autonomia da pessoa.

No entanto, esses montanhistas existem e não é fácil para eles deixarem de existir, pois muitas vezes são montanhistas experientes que avaliaram e identificaram os riscos que correm e estes parecem aceitáveis ​​para eles.

As dicas acima descritas são bem conhecidas pelos montanhistas experientes, mas também e devido a essa experiência, muitas vezes “esquecidas”.


  Por que é bom saber calcular horários?

É provável que entre livros, sites, blogs e amigos tenhamos várias referências do tempo total que precisamos para fazer um passeio de montanha, mas lembremo-nos que é altamente recomendável conhecer os tempos parciais e esses nem sempre vêm nos livros.

Se somos nós a realizar esses cálculos - sempre da mesma forma, de acordo com a fórmula que propomos - termos sempre uma referência de tempo e medida da mesma forma.

Uma vez nas montanhas, com o mapa nas mãos, também podemos realizar esses cálculos para avaliar opções alternativas ou quanto ainda resta.

Para calcular o horário de uma excursão, precisamos:

  1. Escolha o trajeto.

  2. Identificar a rota no mapa do percurso.

  3. Ter conhecimentos básicos de leitura de mapas para poder calcular a distância em quilómetros a percorrer.

  4. Ser capaz, com a cabeça ou a calculadora, de realizar algumas «regras de três» simples e adições.

  5. Ester ciente de que a montanha é mais complexa do que um mapa e uma calculadora nos pode dar. Procurar informações sobre possíveis dificuldades técnicas da rota ou o estado atual solicitando às autoridades competentes da região.


Se vai fazer uma viagem de alta montanha a solo, planeie, equipe e aja com cuidado e prudência.


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