top of page
novologo22.JPG

Visitar Marrocos profundo.

  • Foto do escritor: Art of Riding
    Art of Riding
  • 25 de fev. de 2024
  • 7 min de leitura

Envolto em mistério e rico em história, Marrocos é um tesouro por revelar. Desde o Atlântico até o deserto do Saara, visitamos um país que seduz e inebria até o viajante mais calejado. 

Visitar Marrocos é conhecer as suas cidades imperiais, é percorrer as areias quentes do deserto com os seus oásis de palmeiras, as suas montanhas como o Atlas e conhecer as suas aldeias escondidas, com um povo profundamente enraizado nas suas tradições, onde vislumbramos o seu modo de vida. Ao som da oração melódica do Muezzin, apreciamos as cores de Marrocos. Ficamos fascinados. Conhecemos um país de gentes incrivelmente hospitaleiras. É uma experiência e tanto, todos os nossos sentidos serão despertados neste país colorido e vibrante. Vivemos uma intensidade cultural.


A viagem a Marrocos aqui descrita neste post, leva-nos ao interior profundo do país. Visitar os Souks é uma aventura em si, mas as maiores aventuras aguardam-nos fora das ruas movimentadas, longe da agitação costeira. Vamos conhecer um mundo ainda ancorado no passado, ligado a um dos cenários mais belos e misteriosos de todo o continente.

Visitamos as cidades imperiais, como Fez, Meknés e Marraquexe. Visitamos a região Berbere e as suas aldeias de barro e claro, percorremos o deserto, onde vivemos a experiência única de dormir em plenas dunas e acordar com o nascer do Sol.


Nascer do Sol no deserto de Erg Chebbi - Merzouga
Nascer do Sol no deserto de Erg Chebbi - Merzouga

Primeiro vamos descrever uma breve informação sobre esta região do interior e alguns cuidados a ter.

Começamos pela segurança, Marrocos é um país seguro, ponto. No interior marroquino, mesmo na região Berbere, somos tratados de maneira afetuosa e acolhedora. Adoram conversar sobre as tradições marroquinas e descobrir novas culturas. O interior Norte fala-se mais o espanhol com os turistas, já a região Sul, é o francês a língua que nos contatam.

Em qualquer sítio que a gente pare a nossa viatura, há sempre alguém a "cobrar" um euro pelo "parqueamento"...No respeitante à alimentação, há regras básicas que se não as cumprir, vai ter problemas no trato intestinal! Nunca beba água que não seja engarrafada. Os vegetais de preferência só cozidos e a fruta descascada. No entanto, deve experimentar a culinária exótica da região. Muitos hotéis do interior não servem álcool e nos restaurantes somente água ou refrigerantes.

Pode levar dinheiro em Euros e cambiar pela moeda local ( Dirham ) numa agência bancária e usar cartão crédito ou débito nos hotéis e restaurantes das cidades. As compras que fizer, tente sempre negociar.

As estradas de uma forma geral são boas mas sujas com óleo dos camiões, o que obriga a uma condução atenta e cuidada. Na zona norte, nas montanhas do Rif, o alcatrão da estrada é misturado com pedra calcária, o que com humidade ou mesmo chuva, a aderência é reduzida. Esteja sempre atento à condução alheia! Existe limite de velocidade e há controle, mas a polícia faz "vista grossa" aos motociclistas...Se for afoito e decidir fazer percursos OffRoad, não vá sozinho, se tiver o azar de algum problema, as redes de telecomunicações nos locais isolados são inexistentes e está por sua conta.

Por fim, se for mulher, nestas regiões não use roupa no qual estamos habituados a usar na Europa no calor. Seja discreta. Calças de ganga tudo bem, mas t-shirt justa e decotada, vai cair mal nesta cultura Berbere.



Esta viagem vale alguns dias. Começamos por desvendar o segredo do Magrebe descobrindo no Norte algumas regiões onde a sua história tem origem portuguesa e acabamos no Sul, onde vivemos a verdadeira experiência Berbere.


Vindos de Portugal, dirigimo-nos a Algeciras ( Espanha ) onde se pernoita. No dia seguinte, cedo, apanha-se o ferry para Tânger. Muitos compram o bilhete do ferry pela internet, no entanto comprar no local pode-se conseguir preços mais baratos. Aconselho a comprar o bilhete de ida e volta, com horário flexível. A viagem de barco tem a duração aproximada de 1hora e 30 minutos. No controle aduaneiro em Tânger, prepare-se para uma verificação dos documentos que pode durar 1 hora. Se levar viatura, deve estar em seu nome ou documentação oficial que prove que tem autorização do proprietário, caso contrário, a mesma fica retida na alfandega.


Depois de resolvida toda a burocracia alfandegaria, começamos a nossa viagem pelo Reino de Marrocos. O primeiro destino será Chefchouen, a cidade azul.

Atravessa-se parte das montanhas do Rif , com muito trânsito lento. Por essa razão, deve-se apanhar cedo o ferry de forma a chegar-se ainda de dia a Chefchaouen.

Chefchaouen, a cidade azul, considerada por muitos como a localidade mais pitoresca de Marrocos. Localiza-se a norte do país, não muito longe de Tetouan e na sua proximidade vamos encontrar o Parque Natural de Talassemtane.


 Parque Natural de Talassemtane.
 Parque Natural de Talassemtane.

Chefchaouen, a cidade azul, considerada por muitos como a localidade mais pitoresca de Marrocos. Localiza-se a norte do país, não muito longe de Tetouan e na sua proximidade vamos encontrar o Parque Natural de Talassemtane. O seu nome popular diz muito sobre a cidade, a maioria dos edifícios da sua medina (nome dado à zona histórica ) estão pintados de azul, assim como as suas portas e janelas. Visto de longe, o centro histórico de Chefchaouen é dominado por esta cor.




















A Próxima visita, sempre para Sul, é a cidade mais sagrada de Marrocos para os muçulmanos, por é nela onde se encontra o mausoléu do descendente direto do Profeta Maomé. Mulei Idris, o santo que deu nome à cidade, é o mais venerado de Marrocos, fundador da cidade em 1789 e da primeira dinastia árabe e muçulmana de Marrocos, a dinastia idríssida. É por isso, o destino de peregrinação de muitos devotos. À semelhança de outras cidades sagradas marroquinas, esteve interdita aos não muçulmanos até 1917 e até aos primeiros anos do século XXI onde só os muçulmanos nela podiam pernoitar. Ainda hoje, algumas áreas da cidade nas imediações do mausoléu do santo estão interditas a não muçulmanos. Desde há várias gerações que a primeira visita oficial do rei de Marrocos após a sua coroação é a Mulei Idris.

Mulei Idris situa-se num local muito pitoresco, nas encostas do Monte Zerune, em dois altos rochosos rodeados por três vales verdejantes e muito férteis, dominando a vasta planície a 70 km de Fez. Do outro lado de um dos vales, a 4 quilómetros da cidade, encontram-se as ruínas de Volubilis, a cidade romana mais importante do que é hoje Marrocos.



ruínas de Volubilis
ruínas de Volubilis

Rumamos diretamente para a cidade com grande influência de história e arquitetura portuguesa, Fez. Fundada em 789 , tendo sido a capital de Marrocos em várias ocasiões, é onde está alegadamente a mais antiga universidade do mundo ainda em funcionamento. A sua importância no passado, coloca-a a par de outras grandes capitais da civilização islâmica como Tunes, Damasco, Bagdade, Córdova, Jerusalém ou Isfahan. Juntamente com Rabat, Meknès e Marraquexe, Fez é uma das chamadas cidades imperiais de Marrocos. Fazemos uma visita pela zona histórica, visitando as suas ruelas, observando os lagares para tratamento de peles de animais para casacos, e outros artefactos.


Ao fundo, a Porta Bab Bou Jeloud também conhecida como Bab Boujoud ou “A Porta Azul”.
Ao fundo, a Porta Bab Bou Jeloud também conhecida como Bab Boujoud ou “A Porta Azul”.
Uma rua da Medina de Fez
Uma rua da Medina de Fez

 lagares para tratamento de peles
 lagares para tratamento de peles

Das quatro cidades imperiais de Marrocos, Fez leva o título de mais antiga de todas. A magnitude de Fez merece ser observada desde as colinas situadas nos seus arredores e depois entrar, pelas suas inúmeras mesquitas e a medina murada de Fes. Dentro das suas muralhas, encontra-se o centro de estudos do Alcorão e diferentes associações de artesãos agrupadas em bairros animados onde se pode viver o passado da cidade.


A próxima visita será a segunda das quatro cidades imperiais: Meknès. No percurso, os relevos rasgam o horizonte e criam um cenário que transmite  serenidade. Nos cumes das montanhas, cedros e abetos  contrastam com os vales de tamareiras.

A partir daqui, anuncia-se a presença do deserto e começamos a sentir um Marrocos profundo, o povo Berbere. As paragens para reabastecimento e descanso, começa a ser feito em sítios isolados. As temperaturas começam a subir e o calor torna-se mais ofegante.


Meknes
Meknes

Meknès, uma das quatro cidades imperiais de Marrocos, fica localizada aos pés da cadeia montanhosa do Médio Atlas. A Medina de Meknès e os restos do palácio real ganharam-lhe um lugar na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Na praça El Hedime, Bab Mansour é a porta de entrada para a medina. É uma das obras-primas da arte hispano-mourisca. Não perca a visita aos estábulos e celeiros reais do Sultão Moulay Ismail.

Arco triunfal, capital, casa de Baco, tudo testemunha o esplendor que a cidade conheceu e o seu peso económico e político.

 

Atravessar as montanhas do Médio Atlas em direção ao oásis de Erfoud, no deserto do Saara, é um dos trechos mais emocionantes da viagem. Aqui a cultura berbere é o centro das atenções, embora se torne mais evidente em Merzouga, porta de entrada para a enorme extensão das dunas de Erg Chebbi, onde se pode passear nas dunas em cima dum camelo. Num desses gigantescos montes dourados é possível contemplar o cativante pôr-do-sol arenoso.


A aldeia Berbere de Kamlia, em Errachidia (deserto de Merzouga ), porta de entrada para o grande deserto do Saara. Originários da África negra, os seus habitantes têm um relacionamento estreito e longo com o deserto.



O fascínio por Marrocos não para de aumentar em locais como o desfiladeiro de Todgha, um desfiladeiro estreito com cerca de 300 metros de altura por onde corre o rio com o mesmo nome.


continuar agora pela Rota das Mil Kasbahs, com construções de barro vermelho que traçam os caminhos de Marrocos mais seco entre oásis de tamareiras.

Visitar Kalaa de M'Gouna, a mais famosa Kasbah, conhecida também pelos perfumes que esta cidade produz com as suas rosas, é uma obrigação!


Ouarzazate e a sua popular Kasbah de Taourirt, são algumas das paragens deste maravilhoso percurso. Nos arredores de Ouarzazate, um antigo estúdio de cinema convertido em parque temático regista os numerosos filmes rodados na zona.


Acabamos em Marrakech. A sua medina labiríntica, repleta de souks coloridos e riads acolhedores, estende-se em torno da sempre animada praça Jemaa el Fna.

Uma praça gigantesca que muda completamente de aspecto dependendo da hora do dia em que a visitamos. Esplanadas onde se pode experimentar as iguarias do país, artistas de rua e passeios a cavalo dão asas ao charme e à autenticidade do centro nevrálgico de Marrakech. A 10 minutos a pé encontraremos, de um lado a Koutoubia, um minarete do século XIII que nos fará lembrar a Giralda de Sevilha, e, do outro, o impressionante Palácio da Bahia.

Visitar a Casa Azul mais conhecida por o Jardim Majorelle do estilista Yves Saint Laurent, pode demorar a espera. A fila para a bilheteira costuma ser longa, mas o tempo de espera para entrar não deverá ultrapassar os 15 a 20 minutos. E vale a pena. Numa cidade onde as árvores escasseiam e se sente a proximidade do deserto e se avista ao longe as montanhas do Atlas, este jardim é quase um oásis.


 Praça Jemaa el Fna, mercado noturno.
 Praça Jemaa el Fna, mercado noturno.

Boa viagem

ART OF RIDING, motorcycle events


Comentários


© Art of Riding 2014 - No content from this website can be re-used without permission

  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
bottom of page